O POEMA QUER SER FLOR
A incapacidade de dizer
permanece, apesar destas palavras
que, se dizem, não lavram
se plantadas, não brotam
se sensíveis, não tocam
se significam, não traduzem.
O verso é parte do universo,
fragmento que é,
não revela tudo o que sinto, o que minto.
Por que ainda penso para versar?
Por que não apenas escrever o que me vem
como me vem?
Para que lapidar o que já é,
desde o princípio,
lapidado?
O que é, desde o início,
carne e céu e terra e verbo e tudo?
O que separa o escrever do estar mudo?
Agora que digo,
percebo que não é isto o que eu quero dizer.
A incapacidade de traduzir-me,
de me fazer entender,
de revelar-me a mim...
A incapacidade de transmitir-me,
de me fazer crer,
de refletir-me assim, tal qual sou...
Tudo isso me assombra.
O que me consola é o possível,
embora não tão provável,
milagre do verso cair como lágrima
(de alegria, de dor...
lágrima de muitas cores, sabores)
como semente
como chuva
em uma terra talvez fértil
em que, revirando-se ao avesso, brote
e mostre o potencial escondido sob a grossura da casca
e se faça algo novo, maior do que o pensado
que o verso se faça cor, faça-se flor,
faça-se esperança,
ainda que murcha da sede ou do excesso,
ressignificando
e tornando-se maior
melhor
do que o limite do pensado.
Há esperança de que a poesia faça-se um broto
de pensamento
de indignação
de vontade
de força
de esperança
de luta
e de amor.
Espera-se o desabrochar da poesia.
permanece, apesar destas palavras
que, se dizem, não lavram
se plantadas, não brotam
se sensíveis, não tocam
se significam, não traduzem.
O verso é parte do universo,
fragmento que é,
não revela tudo o que sinto, o que minto.
Por que ainda penso para versar?
Por que não apenas escrever o que me vem
como me vem?
Para que lapidar o que já é,
desde o princípio,
lapidado?
O que é, desde o início,
carne e céu e terra e verbo e tudo?
O que separa o escrever do estar mudo?
Agora que digo,
percebo que não é isto o que eu quero dizer.
A incapacidade de traduzir-me,
de me fazer entender,
de revelar-me a mim...
A incapacidade de transmitir-me,
de me fazer crer,
de refletir-me assim, tal qual sou...
Tudo isso me assombra.
O que me consola é o possível,
embora não tão provável,
milagre do verso cair como lágrima
(de alegria, de dor...
lágrima de muitas cores, sabores)
como semente
como chuva
em uma terra talvez fértil
em que, revirando-se ao avesso, brote
e mostre o potencial escondido sob a grossura da casca
e se faça algo novo, maior do que o pensado
que o verso se faça cor, faça-se flor,
faça-se esperança,
ainda que murcha da sede ou do excesso,
ressignificando
e tornando-se maior
melhor
do que o limite do pensado.
Há esperança de que a poesia faça-se um broto
de pensamento
de indignação
de vontade
de força
de esperança
de luta
e de amor.
Espera-se o desabrochar da poesia.
Comentários
Postar um comentário