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Caminhada da Fé

Ah, almas tantas! Resolveram, todas, caminhar rumo ao céu – e essa caminhada não permite apego àquilo que julgam ser seu, é preciso se desvencilhar de tudo e apegar-se ao motivo primeiro que fez com que estivessem ali: a fé.
Ah, almas tantas! Cantam, intercedem, prosseguem! E que há de ser feito, senão prosseguir? A vida não nos permite paradas – nem frente às dores, aos medos, às desesperanças e ao cansaço: os olhos se lançam ao infinito, redescobrem horizontes, enxergam motivos para continuar.
Ah, almas tantas! Estão no chão, mas é para o alto que saltam, é o alto que buscam – e o alto é bem aqui, dentro de mim, no mais profundo e não na facilidade da superfície, no âmago. Por que seguem juntas? Porque uma é sustento para a outra e, também, se a uma faltar a energia, a força das demais é suficiente para mantê-la de pé.
Há almas nas janelas que assistem as outras passarem – e, por assistirem, passam com elas. Com elas, velas e rosas para abençoar a passagem dos demais: são almas intercessoras, almas de preces. E cedem seus lares, cedem olhares, doam sua fé.
Ah, quem dera ascender aos céus como aqueles fogos de artifício! Tão forte, tão bravo, desfazendo-se em mil, iluminando um bocado. É artístico tudo isso, é sagrado: sermos o pó da estrada, a própria estrada; sermos seguidores da luz, carregadores da luz; sermos o impossível se realizando! Nada é maior que aquilo (Aquele) que nos sustenta!
E corremos na noite em uma perseguição incessante pelo dia que desabrocha logo ali: ainda orvalhado e sonolento, o Sol – que nunca se apagou – vem a nosso encontro. Somos todos girassóis, percebo: miramos a luz, a Luz nos alimenta. Fotossintetizamos a esperança e, ao abrimos a boca num primeiro bocejo, todos os louvores que fizemos adentram nossa alma em forma de felicidade – e que alma, sendo feliz, não experimenta da leveza?
E o nosso destino, chegamos? Missão cumprida? Não: apenas muito bem iniciada. A Caminhada da Fé é apenas metáfora de outra que teremos de vencer ao longo de nossas vidas: a caminhada em busca do melhor que há em nós. E dá-se um nó que nos atrela à realidade de estarmos eternamente de passagem – e, passageiros, escrevemos a nossa eternidade.  

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