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Discurso Fúnebre

O amor sem esperança não tem outro refúgio senão a morte.
(José de Alencar)



Não sei o que queres de mim
Não sei se me queres assim
Não sei se é este meu fim:
Morrer por amar-te,
Ser o brim de tua arte,
Artesanato em tuas mãos,
Dos pés, o teu chão.

Chegaste como quem nada quer e
Arrasaste meu coração, mulher
Fizeste-me escabelo de teus pés
Fizeste-me laço em teus cabelos
Fizeste-me canto em teus ouvidos
Fizeste-me um e foste dez!

Deferiste os mais duros golpes,
Foste baixa e ferina
E eu, que nem sei brincar,
Recebi a espada de tua esgrima.
Feriste a um teu, fizeste teu galope
Foste cobra, deste um bote
Do poema, foste o mote
Mataste a esperança ínfima
Fizeste nascer a fonte Lágrima
Deste origem à lástima
Despiste tua máscara
Meu coração esmiuçara
E tinhas a voz tão calma
E foste algoz, bicho feroz
Devoraste minha alma.

Mas de solidão sucumbirá
Teu coração atrofiará
Serás amarga, carcará
Terás embargo, isolar-te-á
Terás tristeza, chorará
Em tua própria aspereza, há de te arranhar
Quando, eu não sei
Se tua palavra ainda é lei.

Não sei o que queres de mim
Não sei se me queres assim
Não sei se é este meu fim:
Morrer por amar-te,
Ser o brim de tua arte,
Artesanato em tuas mãos,
Dos pés, o teu chão.

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Carpe diem

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