EFEMERIDADE DO SER NO TEMPO
Enquanto o tempo passa,
admiro-me de existir.
Entre quatro estações por dia,
em meio a tanta correria...
Eu aqui.
Talvez corpo e alma,
às vezes um ou outro.
Às vezes furor
às vezes calma...
Firme em minha inconstância,
eu aqui.
Aqui,
buscando a primária substância
do meu ser.
Será que corre no meu sangue?
Será a pele que me cobre?
Será a íris nos meus olhos?
Será o céu e o sal na minha boca?
Ou será a matéria sem forma
nem nome
sem cor
nem odor
que habita cá, em mim?
Não sei,
e eu aqui.
Aqui, nublado como o céu nublado.
Aqui, calado,
mas com o canto de todos os pássaros
a arrebentar meu peito.
Aqui,
fresco como o vento de hoje,
quente como o fogo que aquece as panelas
e cozinha a matéria da vida.
Enquanto o tempo passa,
paira, em mim, a sagrada ameaça
de também passar.
Enquanto isso, eu aqui
poeta de todos os versos que jamais escrevi
conjugando verbos que sequer conheci
dono da energia do princípio,
quando só havia Deus,
céu
e terra
(meu espírito, que não existia, não podia sonhar com as águas).
Aqui,
eu e minhas mágoas,
eu e minhas saudades,
minhas vitórias, minhas histórias
e eu
meus sentimentos, meus arrependimentos...
Eu.
Enquanto passo no tempo,
vivo,
escrevo,
revelo,
desespero,
canto,
danço,
choro...
Vivo!
A vida acontece em mim
e eu nela.
Bem aqui.
Adorei!
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