VOLÚPIA
O que há de humano em mim, deseja o corpo
deseja a forma
as voltas
as cores
e os traços.
Porque o corpo é a
materialização da vida
a casa do pensamento
do sonho
de
outro corpo
recebido, visitado
de
outro corpo requisitado
desejado
amado
quase adorado
porque quase divino.
Porque o corpo,
suntuoso, insinua-se
e a carne, tão macia,
põe-se nua
nos quartos
nos cantos
na rua
de tal modo que outro
corpo também se desmonta
se enrijece
se desconta
se intumesce
se desponta
e culmina na inevitável
lassidão
que é o cume da
satisfação.
Porque o prazer é
hiperbólico,
hipersônico,
o prazer, ele é.
E o desejo manifesta-se
tal qual é:
relação de dependência
do ser em relação a alguém
ou a algo
porque é objeto do qual
se gosta que exerce a força sobre o ser
e não o contrário
Se te amo,
quero-te
procuro-te
desejo-te
de tal modo te penso
de tal
modo que te vivo
de tal
modo que te preciso
vou a ti como que puxado por um ímã
busco-te querendo-te ligar a mim
como o plugue e a tomada
tua presença me energiza
revitaliza
faz-me irregular
O objeto torna-se causa
da permanência do ser.
O que há de humano em
mim,
de profano
mundano
deseja o
corpo como um milagre pessoal
membro a membro,
palmo a palmo
como se a descoberta da
carne fizesse prevalecer a alma.
A nudez crua
muda
na sala
quarto
rua
qual a lua cheia
à noite, inunda-me, fecunda-me
e eu cresço inteiro
ligeiro.
O crescer lesto é um
gesto
(de amor?)
um manifesto
(do prazer)
um
milagre
(do irromper?).
O desejo, eu vejo, é o
que é
(a desnudação do mundo,
a
procura pelo mais profundo,
a intimidade mais absurda)
e tem a força que tem
tem a força que tu tens
a força de mil
trens-bala.
Desejo é locomotiva de
infinitos vagões
e carrega tesão
vigor
paixão
da
minha estação à tua
onde,
final
e
fielmente,
se
d
e
r
r
a
m
a
.
Comentários
Postar um comentário