EXISTENCIALISTA
Então é
isto a vida?
Nascer e morrer cotidianamente até que venha a morte definitiva?
Dormir e acordar assim como o dia, que nasce e se põe?
É estar condicionado às horas e andar ao ritmo do tic-tac dos relógios?
Trata-se de encontrar uma nova maneira de se estar cego a cada ano?
Ou mês?
Ou dia?
É ter a fantasia de ser algo daqui a um tempo?
Desejar o futuro com a força de quem não sabe que deseja a morte?
É ser criado por um Deus e inventar seus próprios deuses para suportar os dias?
É isto a vida?
Isto que me rodeia?
Vento
Cadeiras
Mesas
Árvores
Tempo
Motores
Pessoas
Odores
Insetos
Cães, gatos, galos, ratos e quem sabe mais o quê?
É crer-se o centro ou a periferia da coisa?
É adular-se ou detestar-se ou crer-se detestado?
É a busca incessante pelo amor que nunca basta, que precisa de mais presença, de mais força?
Acordar cedo, comer às pressas, trocar-se como quem reinventa a pele
E, de modo célere, sair às ruas
Ir às roças ou aos prédios
Em busca do pão de cada dia?
Ou do “não” de cada dia?
Ou da expectativa que se cria?
É alcançar o sucesso e, em cada aplauso, sentir-se o espetáculo,
Sentir-se o sustentáculo da alegria daqueles a quem se alia?
Sentir-se e sê-lo, por vezes?
É sentir alegrias com as coisas ridículas e nelas enxergar a beleza suprema?
Sentir tristeza com essas mesmas coisas e nelas notar a aparência enferma?
É ver violência em todos os jornais?
É ter a fé hebdomadária de quem precisa de paz uma vez por semana
Para suportar as dores das quais, nos outros dias, reclama?
É sentir saudades e continuar afastado?
É sentir tesão e continuar brigado?
É medicar-se para acalmar-se e continuar irado?
É buscar o seu lugar no mundo e continuar sentindo-se deslocado?
É receber amor todos os dias e, ainda assim, não se sentir amado?
E, com tudo isso, manter-se vivo por ter fé em algo que nem sabe bem o que é?
Afinal, é isto a vida?
Buscar o abraço dos pais quando a noite vem?
Querer o carinho dos avós quando a dor nos faz reféns?
Inspirar-se nos irmãos e tios?
Ou é detestar parentes?
É, entre
Vitórias reconhecer as perdas?
É matar os filhos?
Assassinar os pais?
Enganar-nos a nós mesmos?
Atropelar aos outros?
É anunciar, a cada maldade, o fim do mundo e trazer, no âmago, bem lá no fundo,
Um pouco de fé?
Qual é a beleza da vida?
Os pássaros a rolar na areia?
Os filhos que nos perpetuam?
O olhar de quem nos acompanha?
O carinho de quem nos ama?
As praias, montanhas, rios, mares, flores, cores?
A beleza da vida é não questionar.
É saber que pensar traz dor.
É aceitar que não há razão lógica para se estar aqui, vivendo,
E, ainda assim, não querer – de todo – a morte.
A beleza da vida é ouvir sofredores dizerem que a vida é maravilhosa
E sentir-se doído com a ironia dessas palavras.
Porque a vida é isto que ela é, seja lá o que for.
Isto.
E só.
É salvar-se e condenar-se com o mesmo pensamento.
É saber-se sempre escravo de alguma coisa.
É aceitar que não há livres entre nós, só a ignorância das cadeias que nos prendem.
Não saber-se preso é que faz a liberdade, mas também o que a tira.
A vida é isto.
Não há vítimas ou vilões – só nós,
Nossa voz, nossos silêncios, nossa ambiguidade...
E a vida, ela mesma, como é.
Não é o que acaba com a morte.
É o que permanece depois dela.
Horrível, mas bela.
Cruel, mas bondosa.
Responsável pela loucura desses versos quase prosa.
A vida é isto, estes versos, este tempo que gasto em escrevê-los para que nem sejam lidos,
Para que sejam esquecidos, como sempre acontece com as palavras.
O que se diz já é obsoleto quando sai da boca,
O que se escreve já é senil quando encontra o papel,
O que se faz logo é pretérito – o que se interrompe, imperfeito.
A vida é isto: o sempre novo.
Novo de novo, e de novo... o que renasce.
E eu e estes versos e você e as plantas e os bichos e as águas e o vento – tudo é só roupa com a qual a vida se enfeita, decora-se, brinca de ser
E é por isso que tudo o que se fala sobre a vida é a vida falando dela mesma
Mentindo
Fingindo
Enganando-se
Questionando-se
Esquecendo-se
Recordando-se
Atuando
Emendando-se...
Só para não se entediar.
A vida sou eu e minha
És tu e tua
É ele e dele
Somos nós e é nossa
Sois vós e é vossa
São eles e é deles
É para mim
É para vivê-la
É para viver-te
Ela é isto, isso e aquilo.
Não bastam os substantivos
Nem os adjetivos
Nem os pronomes...
Ah!, não bastam as classes de palavras!
Nem gramática ou matemática
Nem história nem ciência!
É o que eu amo detestando
E detesto amando, angustiando-me...
Quero devolver-me a vida, que é uma maneira de devolver-me a mim
Porque eu, que sou isto, quero ser isto como ela é.
Nascer e morrer cotidianamente até que venha a morte definitiva?
Dormir e acordar assim como o dia, que nasce e se põe?
É estar condicionado às horas e andar ao ritmo do tic-tac dos relógios?
Trata-se de encontrar uma nova maneira de se estar cego a cada ano?
Ou mês?
Ou dia?
É ter a fantasia de ser algo daqui a um tempo?
Desejar o futuro com a força de quem não sabe que deseja a morte?
É ser criado por um Deus e inventar seus próprios deuses para suportar os dias?
É isto a vida?
Isto que me rodeia?
Vento
Cadeiras
Mesas
Árvores
Tempo
Motores
Pessoas
Odores
Insetos
Cães, gatos, galos, ratos e quem sabe mais o quê?
É crer-se o centro ou a periferia da coisa?
É adular-se ou detestar-se ou crer-se detestado?
É a busca incessante pelo amor que nunca basta, que precisa de mais presença, de mais força?
Acordar cedo, comer às pressas, trocar-se como quem reinventa a pele
E, de modo célere, sair às ruas
Ir às roças ou aos prédios
Em busca do pão de cada dia?
Ou do “não” de cada dia?
Ou da expectativa que se cria?
É alcançar o sucesso e, em cada aplauso, sentir-se o espetáculo,
Sentir-se o sustentáculo da alegria daqueles a quem se alia?
Sentir-se e sê-lo, por vezes?
É sentir alegrias com as coisas ridículas e nelas enxergar a beleza suprema?
Sentir tristeza com essas mesmas coisas e nelas notar a aparência enferma?
É ver violência em todos os jornais?
É ter a fé hebdomadária de quem precisa de paz uma vez por semana
Para suportar as dores das quais, nos outros dias, reclama?
É sentir saudades e continuar afastado?
É sentir tesão e continuar brigado?
É medicar-se para acalmar-se e continuar irado?
É buscar o seu lugar no mundo e continuar sentindo-se deslocado?
É receber amor todos os dias e, ainda assim, não se sentir amado?
E, com tudo isso, manter-se vivo por ter fé em algo que nem sabe bem o que é?
Afinal, é isto a vida?
Buscar o abraço dos pais quando a noite vem?
Querer o carinho dos avós quando a dor nos faz reféns?
Inspirar-se nos irmãos e tios?
Ou é detestar parentes?
É, entre
Vitórias reconhecer as perdas?
É matar os filhos?
Assassinar os pais?
Enganar-nos a nós mesmos?
Atropelar aos outros?
É anunciar, a cada maldade, o fim do mundo e trazer, no âmago, bem lá no fundo,
Um pouco de fé?
Qual é a beleza da vida?
Os pássaros a rolar na areia?
Os filhos que nos perpetuam?
O olhar de quem nos acompanha?
O carinho de quem nos ama?
As praias, montanhas, rios, mares, flores, cores?
A beleza da vida é não questionar.
É saber que pensar traz dor.
É aceitar que não há razão lógica para se estar aqui, vivendo,
E, ainda assim, não querer – de todo – a morte.
A beleza da vida é ouvir sofredores dizerem que a vida é maravilhosa
E sentir-se doído com a ironia dessas palavras.
Porque a vida é isto que ela é, seja lá o que for.
Isto.
E só.
É salvar-se e condenar-se com o mesmo pensamento.
É saber-se sempre escravo de alguma coisa.
É aceitar que não há livres entre nós, só a ignorância das cadeias que nos prendem.
Não saber-se preso é que faz a liberdade, mas também o que a tira.
A vida é isto.
Não há vítimas ou vilões – só nós,
Nossa voz, nossos silêncios, nossa ambiguidade...
E a vida, ela mesma, como é.
Não é o que acaba com a morte.
É o que permanece depois dela.
Horrível, mas bela.
Cruel, mas bondosa.
Responsável pela loucura desses versos quase prosa.
A vida é isto, estes versos, este tempo que gasto em escrevê-los para que nem sejam lidos,
Para que sejam esquecidos, como sempre acontece com as palavras.
O que se diz já é obsoleto quando sai da boca,
O que se escreve já é senil quando encontra o papel,
O que se faz logo é pretérito – o que se interrompe, imperfeito.
A vida é isto: o sempre novo.
Novo de novo, e de novo... o que renasce.
E eu e estes versos e você e as plantas e os bichos e as águas e o vento – tudo é só roupa com a qual a vida se enfeita, decora-se, brinca de ser
E é por isso que tudo o que se fala sobre a vida é a vida falando dela mesma
Mentindo
Fingindo
Enganando-se
Questionando-se
Esquecendo-se
Recordando-se
Atuando
Emendando-se...
Só para não se entediar.
A vida sou eu e minha
És tu e tua
É ele e dele
Somos nós e é nossa
Sois vós e é vossa
São eles e é deles
É para mim
É para vivê-la
É para viver-te
Ela é isto, isso e aquilo.
Não bastam os substantivos
Nem os adjetivos
Nem os pronomes...
Ah!, não bastam as classes de palavras!
Nem gramática ou matemática
Nem história nem ciência!
É o que eu amo detestando
E detesto amando, angustiando-me...
Quero devolver-me a vida, que é uma maneira de devolver-me a mim
Porque eu, que sou isto, quero ser isto como ela é.
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