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EU GIRASSOL

Como crianças atrás das pipas, corro atrás das melodias.
Persigo as belezas poéticas que nascem dos fatos cotidianos
e teço, com o que encontro, minhas alegrias
e visto-me de novidade, teço-me numa nova idade
e afasto-me do cansaço dos anos, dos enganos
e aproximo-me de um eu não meu, mas lírico
voz do poema, voz do poeta, voz do sonho mais idílico
numa procura e perseguição constante ao inalcançável
que corre na lágrima do rosto, lágrima que não se aguenta
e que também tenta, saltada dos olhos, alcançar a beleza
que ornamenta o mundo, que encanta o homem
que nos toca ao fundo, que é chama que nos consome.
Como os que correm atrás de pipa correm atrás das pipas,
corro atrás das coisas bonitas, das coisas esquisitas,
das coisas que espantam.
Minha alma pequena persegue aquilo que canta
e, nos cantos, se esconde para chorar,
se esconde para cantar, para contemplar
esconde-se para ser bonita também
e perseguir, aflita, aquilo que acredita
e tornar-se perseguidora de sonhos,
construtora de sonhos,
enchendo o mar com as lágrimas de encanto sem, no entanto,
desfazer a beleza da praia.

Esculpida na alma, a beleza se espraia. 

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