QUE NEM EU
As bolsas dos olhos transbordam a
água
Quantas gotas compõem a lágrima?
Quanta lágrima suporta a pálpebra?
Quanta coisa cabe no âmago?
Quanto frio suporta o estômago?
A dor é pungente no peito da gente
Quanta dor nosso peito mente?
Quanta felicidade se esvai
impiedosamente?
Quanto peito no leito repousa em
paz?
Quanta paz de tão vasta perturbadora
se faz?
O que nos seduz e reduz à lasciva
condição?
O que revela a nossa podridão?
O peso nas costas nos racha ao meio
No peso, os medos, os julgamentos,
os receios
Tudo parece querer arraigar-nos no chão
E, numa prece, pedimos direção
Mas não há caminho – não há nada
E, nos passos solitários, a
indignação
E, nos momentos vários, a dissolução
E, nas árvores, os canários louvam a
vida
Que é a mesma em mim nascida tão
pouca
Tão morta
Tão vazia ao pé da porta
Vazia que nem eu
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