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SINAIS DOS TEMPOS

Os olhos foram comidos
Comidos foram os ouvidos
Costurada a boca
Roubados os sentidos
A coisa agora é outra
A coisa agora é rouca
É louca a coisa pouca
É tanta gente trouxa
É tanta mente vaga
E as vagas andam poucas
A inteligência vazia
Sucumbe à tecnologia
E um smartphone sabe o que não sabe o homem
E, no mundo, há tanta fome
E tantos que descartam o que nem consomem
E tanto homem no ponto
Sentado feito tonto
Esperando seu ônibus chegar
Rodeado de tanta gente
Incapaz de conversar
E, se conversa, mente:
Em quem se pode acreditar?
E o ouvido no fone
E os olhos na tela
E o toque é touch
E o touch é screen
Alguém, por favor, olha para mim
Que olhos?
No rosto duas marcas cicatrizadas
Alguém, por favor, diga algo para mim
Que boca?
A agulha costura o silêncio
Alguém, por favor, dê ouvidos para mim?
Que ouvido?
Há tempos já foi consumido

É o fim.

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