NARCISO
És real ou apenas és imaginação minha?
És de verdade ou materialização do desejo meu?
Existes ou minha mente persiste em dar-te vida?
Se não fores real, por que esses ares de majestade?
Se não és verdade, por que teu calor me invade?
Se não existes, por que algo em mim resiste e não te mata?
És coisa real, és rei ou és rainha?
És verdade, verdadeira ou brincadeira minha?
Existes, resistes ou faz-me brinquedo teu?
Se te imagino, desejo-te, então, em ti, sou eu?
Amo em ti aquilo que és ou que é meu em ti?
Se sou eu, por que te sinto tão distante e não aqui?
Se estás longe sendo eu, então eu me perdi?
Ah, amor, seja o que for, eu não te mereci?
És real ou igual, tal e qual a mim?
És verdade e realidade só por que te quero assim?
Existes e provoca-me só por que não te dou fim?
Mas se mato, te mato, mato também a mim.
Se me olho, te olho, somos um, enfim.
Se te olho, e olho, és um sem mim.
Se te vejo, eu percebo: não estás a fim.
Mas, se te sou e me és, estamos condenados, sim
A sermos reflexos, perplexos, até o fim.
E se eu amo, te amo, eu sou assim:
Narcisista, egoísta – amo o que tens de mim.
Ah, espelho! Espelho meu!
Existe amor mais bonito que este meu?
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