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Tingindo de negro a trama

Debruçados, forçados, testados e patéticos, escrevem. Em cada um, a crença absurda em algo mais absurdo ainda: a importância – de que, não sei. O não-sei-que não é meu, então dane-se!
Escrevem por estudo? Nas palavras transcritas a rápidas caligrafias, respostas? Nenhuma, adivinho. Só mais e mais questionamentos. E a música funesta, horrível e melancólica completa o drama, tinge de negro a trama e me afronta! É assustador ver tantos como eu, no entanto, diferentes.
Há quem creia em Deus, logo vejo: parecem rezar, clamar, implorar por palavras que não vêm, não veem, não sentem – assustam-me! Chico Xavier pluralizado aguardando espírito! E para quê outro, senão o seu?
E uma voz, em meio a silenciosos gritos apavorados, oferece-me o jardim. Capim indigesto sob o vento morto! Seca-me suas músicas e irritam-me! E como é boa a fúria: põe-me a alma em cacos e escrevo em busca de remendos.
Esqueci-me dos demais, felizes ou angustiados. Não me importam mais, porque eu sou todos eles: escrevo por todos, mas não traduzo o que sentem – não traduzo nada! Sou linguagem única, até a mim incompreensível!
Sinto-me, outra vez, assaltado e não me resta senão este desabafo ou a morte. Caminho para o fim, não o meu, mas da melodia que parece renascer aos poucos, alheia a meu mais profundo incômodo. Tapo, abstrato, os ouvidos e enxergo-me dentro de mim: encontrei-me, a escrita surtiu efeito.
Agora, sei lá! Perco-me outra vez como maneira de encontrar outros. Levanto os olhos e deles escapa-me a alma que sonda as palavras de cada uma das outras almas presentes. Encanta-se, quase chora e retorna, não sem amargura, para seu dono.
Cadáveres por todos os lados, mas de mãos vivas. Escrevem por gosto ou por obrigação? Não questiono para não romper o falso silêncio e para evitar palestra daqueles supostos sabedores que antes me irritaram. Devo contar o porquê para você não me achar um bobo.
Era dado o momento das apresentações. Para mim, nome e função bastavam. Que nada! Faltou apenas ditarem os documentos e, não bastasse, seguiu-se um debate sobre o que é e como enfiar a leitura goela abaixo da criançada por aí. Pobres alunos desgraçados, pobres vítimas do método! Mais contadores de histórias e menos contadores de vantagem, por favor.

Pedem-me, vozes que não sei, que dê por finda a escrita. E dou, dou para não fugir à regra, embora queira. Dou é porque já me perdi e não quero me encontrar – não ainda.

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