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Se ousasses me ouvir

E seu eu tivesse que dizer como está o mundo?
Emudeceria? Sentiria um nó que me impossibilitaria de dizer palavra?
Ou te diria a verdade? E que verdade te diria se não sei qual é?
Diria que ando virado do avesso,
Que no mundo me confundo,
Que todos os meus sentidos estão escravizados
E que de chá nem mesmo a colher?
Pois é!

E se tivesse que dizer como está o mundo?
Diria que anda burro e sujando as calças?
Que vem caminhando sobre pregos e a pés descalços?
Que mergulha num preconceito que fingimos que não há, por que é mais conveniente?
Que fingimos uma igualdade que até existe, mas não é o suficiente?
Que andamos alienados e armados da ignorância até os dentes?

E se tivesse que te falar de esperança?
Diria que Rapunzel já não joga as tranças?
Que ando seco e nem sei o motivo?
Que só existo e nem sei se vivo?
Que ela se suicidou numa ensolarada tarde de incoerências
Em que se banhava de incongruências?

E se tivesse que falar de esperança?
Diria que não suportou a dicotomia
(Ser tristeza ou ser alegria?)
E partiu ao meio?
Suportarias essas informações
E, qual poetas, farias canções?


Talvez por isso não me queres ouvir... 

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