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Nos braços da mãe

Não podemos controlar tudo, meu filho:
O Universo é o Universo, independente de nós;
O Sol é que comanda seu brilho;
A Lua age sem ouvir nossa voz;
O terremoto existe, apesar da nossa dor.

Meu filho, esconda-se debaixo da mesa,
Sua mãe está aqui!
Menino, não chore, aja com firmeza:
Não deixe o tremor nos ouvir!

Ouvi dizer, guri, que existem umas placas tectônicas...
Estes abalos são decorrentes do choque entre elas!
Ah, mas há pessoas em situações antagônicas,
Que quase não possuem o risco de ver tremer a terra,
Com elas, o incontrolável não erra!

Meu filho, ouvi dizer que esses terremotos
São mais graves quando atingem países pobres:
Sem infraestrutura, as pessoas perdem casa, perdem posses,
Perdem parentes!
O governo não os ampara,
Mas a vida não para:
Enquanto sofrem pela carência,
Outros brindam à indiferença...

Não, meu filho, não chore:
Somos pobres, mas vamos escapar.
Não menino, a esperança não se encolhe:
Vamos nos safar.

Não podemos controlar as causas, garoto...
Não podemos...
Mas controlamos o que faremos com as consequências!
Sairemos mais fortes, riremos da morte!
Foi assim da outra vez, não é?
Não chore, guri: sua mãe está aqui.

Infelizmente, não podemos controlar tudo...
(O tremor se intensifica)
Não podemos controlar tudo...
(A mãe tenta demonstrar esperança, mas desacredita)
Não podemos controlar...
(Tuuum!)
Não podemos...
(Buuum!)
Não...
(E, sobre eles, o mundo desaba).


Texto originalmente publicado em: Projeto Praça


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