Reergo-me
"Eli, Eli, lama sabactâni?"
Não sei se está consumado,
Não sei se está consumindo...
Sei que me sinto desamparado,
Sinto minhas forças partindo -
Não sei do que sei.
Fiz tudo o que pude:
Corri mares, voei nos ares, lutei!
Mas veio a mão que ilude
Atacar-me, sem compaixão:
Cravaram no meu peito a lança,
Tingiram-me de vermelho a esperança
E eu parei, cai, calei.
Meu Deus, porque me atiraste neste mundo,
Tão pouco, tão louco, tão imundo?
Por que me deixaste abandonado à condição humana
Que não condiz com nada, desordenada?
Responde, se Tu me ouves!
(Sinto um sufoco, um cansaço
(Desta existência sem cadência).
Mas eis que sinto a brisa no rosto,
Sinto o doce na boca,
O calor no pescoço,
Sinto a paz na alma rota.
Será, dos céus, a resposta?
Eu sei: não está consumado,
Está só começando.
Não, o mundo não está parado,
Está rodando!
Sinto minhas forças voltando,
Ouço vozes cantando,
Ouço harpas e ruflar de asas!
Levanto meu voo,
Coloco-me na estrada.
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