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O mesmo José

E, agora, que faço eu desta hora?
Abandono-me?
Agora, ele ri ou chora?
Confunde-se?
E agora, que já não há mais tempo,
Caminho a passos lentos?

E agora? Morreu?
E agora? É réu? 
E agora? O crime?
E agora? Redime?
E agora? Cai fora?

Agora... chora!
Agora, sem hora, deteriora.
Pior: deteriora-se!
Está podre. 
Haverá jeito?
Meu Deus, o sujeito está nu! 
O homem está cru! 
E eu estou parado, ao lado, calado.

Que faço eu desta hora?
O homem, ali, chora 
(Porque quis?)
Meu José, há um homem infeliz
(O que ele diz?)

José, não é uma retórica!
Se não me responde, como o José de Drummond,
Vai-te embora e vai tarde!

Que faço eu dessa hora?
Eu vejo, José:
É  você a meu pé!
José, por que passas tão despercebido?
Por que tão tímido? 
Por que morreu?
Por que te abandonou?
Por que foi réu?
Por que não teu?
Por que, José?

Levanta-te, José
Ou te ponho de pé!
José, José... perdeste a fé?
Compreendo-te!
Mas, no chão, não verás a salvação.
E agora, José?
E agora, Josés?
Não sei o que farás
(Cantarás, amarás, não sorrirás jamais?),
Mas eu, José
Estarei de pé. 
E tu, meu amigo, andarás comigo.
E agora, José?
José, caminha!
Para onde?
Não sei: só não te escondas. 

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Carpe diem

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Discurso Fúnebre

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