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O Homem

Não sabe quem é,
Isso o mantém de pé:
Não é José nem Tomé,
Nem Joaquim nem André.
Mas é assim, de fé.

Ele entra e sai,
Vem e depois vai,
Senta, levanta...
Venta, canta...
Parece criança,
Parece que dança,
Parece que se lança
Rumo ao nada.

Uma coisa de cada vez,
Põe tudo fora do lugar:
Tu não percebes, não vês,
Mas é sua maneira de arrumar.
Seu mundo é às avessas,
Suas imaginações travessas:
Ele precisa readequar.

Então, entra e sai
(Há olhos sobre ele),
Vem e vai
(Sua sombra é de carne),
Senta e levanta 
(Sua força não espanta),
Venta, canta 
(Chora e dança). 

Já sabe quem é:
É homem de fé
(Fé no amanhã),
É homem que come em coité,
É homem de pé,
É homem - pois é.

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Carpe diem

O tempo não existe.
Como podereis dizer que o tempo passa
Só pela aparência que muda,
Pelo Sol que se esconde
E pelas mudanças climáticas?
Como podereis afirmar que passa o tempo
Só pelo que foi transcorrido,
Pelo que foi esquecido
E pelas horas trágicas?

O tempo, hum, ele não existe.
Não existe, também, a vida;
Não existem os sonhos;
Não há caminhada nem há olhos tristonhos
— Mas a tristeza existe.
Há a coisa chamada felicidade, também;
Há o medo;
Há o descaso e o desdém.

O tempo não existe.
Não há senão a grande ilusão da existência
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Entre a pureza e a indecência.
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Quem dera chupássemos os dedos,
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Quem dera chorássemos pura e exclusivamente por vontade de chorar,
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Mas a consciência não existe,
Só as regras persistem em d…

SINAIS DOS TEMPOS

Os olhos foram comidos Comidos foram os ouvidos Costurada a boca Roubados os sentidos A coisa agora é outra A coisa agora é rouca É louca a coisa pouca É tanta gente trouxa É tanta mente vaga E as vagas andam poucas A inteligência vazia Sucumbe à tecnologia E um smartphone sabe o que não sabe o homem E, no mundo, há tanta fome E tantos que descartam o que nem consomem E tanto homem no ponto Sentado feito tonto Esperando seu ônibus chegar Rodeado de tanta gente Incapaz de conversar E, se conversa, mente: Em quem se pode acreditar? E o ouvido no fone E os olhos na tela E o toque é touch E o touch é screen Alguém, por favor, olha para mim Que olhos? No rosto duas marcas cicatrizadas Alguém, por favor, diga algo para mim Que boca? A agulha costura o silêncio Alguém, por favor, dê ouvidos para mim? Que ouvido? Há tempos já foi consumido
É o fim.

Discurso Fúnebre

O amor sem esperança não tem outro refúgio senão a morte. (José de Alencar)


Não sei o que queres de mim Não sei se me queres assim Não sei se é este meu fim: Morrer por amar-te, Ser o brim de tua arte, Artesanato em tuas mãos, Dos pés, o teu chão.
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Deferiste os mais duros golpes, Foste baixa e ferina E eu, que nem sei brincar, Recebi a espada de tua esgrima. Feriste a um teu, fizeste teu galope Foste cobra, deste um bote Do poema, foste o mote Mataste a esperança ínfima Fizeste nascer a fonte Lágrima Deste origem à lástima Despiste tua máscara Meu coração esmiuçara E tinhas a voz tão calma E foste algoz, bicho feroz Devoraste minha alma.
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