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Vou indo

Há o desejo pela luz,
Mas não se olha o céu
Com olhos nus;
Há o desejo do mel,
Mas é mais acessível o fel.

Há o desejo,
Mas nunca se realiza o beijo;
Quer o caminho,
Mas não sabe seguir sozinho;
Quer amar,
Mas se recusa a perder o ar.

Quer tantas coisas...
Coisas grandes e pequenas.
Mas quer, só quer, apenas:
Não move uma pena,
Sempre se apequena,
Não vai.

Quer vitória sem luta,
Quer salário sem labuta,
Quer o sol sem se cegar com a luz,
Quer o céu sem levar sua cruz.

E se põe em meu caminho,
Como a pedra de Drummond:
É o sangue em meu vinho,
É o fim do horizonte.

Não, não o levarei às costas:
Em mim não se encosta,
Fica ali, sempre ali,
Olhando, querendo, tomando...
Vai montando o seu bando
De pessoas que vão ficando.

Tento estender as mãos,
Mas assim não quer:
Quer só facilidades,
Ter sem fazer.
E vai ficando...
Mas eu (perdoe-me) vou indo.

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