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NATUREZA

Sou riqueza, grandeza, beleza
Sou uma afronta à sua destreza
Sou a interrogação, a incerteza
Sou um desafio à sua esperteza.

Posso ser sua amiga,
Fonte de alimento para sua barriga,
Fonte de vida para seus pulmões,
Inspiração às suas canções,
Sustento para seu caminhar,
Razão do seu prosperar...

Ah, mas não se confunda:
Mesmo sendo vasta e profunda,
Não sou inesgotável, inalterável:
Sou, muitas vezes, vulnerável.
Você me corta, mata, queima...
Polui-me, extingue, desrespeita...
Dou sinais, mas você teima;
E, por sua culpa, o caminho se estreita.

Ah, sou paciente, mas não morta;
Aviso, mas quase ninguém se importa.
Então, revolto-me:
Onde sou água, transbordo;
Onde sou fogo, incendeio,
Onde sou chuva, viro enchente
(E você que não fique descontente:
A culpa é sua);
Onde sou devastada, sequidão;
Onde sou desprezada, viro fome;
Onde sou perseguida, faço-me extinta;
Onde sou mar, maremoto;
Onde sou terra, terremoto;
E, onde buscam aconchego, faço-me solidão.

Precisava ser assim?
Claro que não!
Respeite-me, e serei coração!

Porque eu sou riqueza, grandeza, beleza
Sou uma afronta à sua destreza
Sou a interrogação, a incerteza
Sou um desafio à sua esperteza.
Alguns me chamam de vida,
O tudo, que corre, eterna ida;
Outros, generalizam: chamam-me de Terra,
A esfera, a fera ou o solo que enterra.

Sou correnteza, leveza, gentileza ou braveza:

Prazer: sou a Natureza.

(Poema originalmente publicado na página do Facebook "Projeto Praça". Aliás, vale a pena conferi-la e curti-la. Segue o link: Projeto Praça

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