SE DEUS QUISER
Se Deus quiser, um dia eu chovo,
Saio desse morro-não-morro
Transbordo-me, transcorro, escorro,
E lavo a alma na água que me acalma
E que sou eu.
Se eu puder, um dia broto
Dentro de mim.
Deixo de ser estático como foto
E passo a crescer, caminho sem fim.
E experimento meus próprios frutos,
Desfruto de mim.
Se a vida der, quero conforto,
Conforto da alma
(Aquele que cabe na palma do sentir,
A paz, o sorrir).
Conforto do qual só desfruta um
morto:
Poder dormir sem penar, pensar,
pulsar...
E, ainda assim, quero não parar de
cantar e viver.
Se Deus quiser e eu lutar,
Talvez tenha fim minha espera:
Perco-me, desaguo-me em meu mar
Múltiplo, facetas que entre si cooperam;
E faço que esse “um dia” seja hoje.
Se Deus quiser, passo a viver sempre
o presente,
Contente, sem saber que o vivo:
Saber sem saber que sei,
Não saber certo de minha ignorância
(Querendo respostas, como criança,
Só por querer).
Se Deus quiser, um dia, serei hoje.
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