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Saudade

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Caminhada da Fé

Ah, almas tantas! Resolveram, todas, caminhar rumo ao céu – e essa caminhada não permite apego àquilo que julgam ser seu, é preciso se desvencilhar de tudo e apegar-se ao motivo primeiro que fez com que estivessem ali: a fé. Ah, almas tantas! Cantam, intercedem, prosseguem! E que há de ser feito, senão prosseguir? A vida não nos permite paradas – nem frente às dores, aos medos, às desesperanças e ao cansaço: os olhos se lançam ao infinito, redescobrem horizontes, enxergam motivos para continuar. Ah, almas tantas! Estão no chão, mas é para o alto que saltam, é o alto que buscam – e o alto é bem aqui, dentro de mim, no mais profundo e não na facilidade da superfície, no âmago. Por que seguem juntas? Porque uma é sustento para a outra e, também, se a uma faltar a energia, a força das demais é suficiente para mantê-la de pé. Há almas nas janelas que assistem as outras passarem – e, por assistirem, passam com elas. Com elas, velas e rosas para abençoar a passagem dos demais: são almas …

Cansado, outra vez

Estou farto da Literatura: ou se fala de amor ou se fala de ódio – em alguns casos, de nenhum deles, mas o resultado é igualmente fatigante. Não tenho mais energias para isso, não tenho mais energia para nada: estou cansado de tudo isto, de tudo isso e de tudo aquilo. Tudo define bem o que me desagrada, restando apenas o nada a meu favor. Meu tudo, talvez, seja nada; meu nada, talvez, seja tudo. Quem sabe? Eu não. Minha fadiga também já é assunto repetitivo, sem valor. Talvez seja um plágio de mim mesmo, tanto que recorro às mesmas falas, já gastas, já sem seu sentido primeiro. Nem a novidade, que eu tanto preguei e defendi, vem a meu socorro – estou sozinho, e é de praxe estar. Vê? Tudo de novo já nasce tão velho que me desgasta. Já se sabe, desde a origem, o futuro de todo o mundo. Sim, sabe-se. Sei que vai crescer, se machucar, estudar, machucar-se outra vez, chorar, sorrir, estudar, trabalhar ou não trabalhar, perder o emprego ou nunca “encontrá-lo”, mais sofrimento, mais felic…

Àquela mulher

Há uma mulher vestida de chita. O que ela quer? Por que tão aflita? Há uma mulher de cabeleira presa. Dá para saber o porquê da tristeza?
Ah, mulher dissemelhante! Onde se encaixa neste mundo tão errante? Ah, mulher desinquieta! Por que, em linhas tortas, sua vida é tão correta?
Essa mulher pariu o mundo Essa mulher é mãe do céu Ela vela pelo infecundo Derrama em tudo seu mel.
Quem é ela, tão pequena? Essa miúda, quem é? É aquela que não condena, Que dá motivos à fé.
Há uma mulher vestida de vida É dona do mundo, imunda não é.

O dizeres (calado)

Segue dando forma a teus silêncios, menino! Segue! Impressiona-te: eles dizem muito de ti. Leva consigo todas as tuas marcas, tuas formas... Encontra sustento em teus olhares – que ainda não vi. No não dito, há muito dizendo Como no dito, há muito que permanece calado. Impressiona-te: há coisas que são melhores ditas em silêncio. O teu silêncio, às vezes, é o que melhor te descreve – escreve.