Adeus, amor.
Naquele olhar, a luz do sol. Seu
rosto irradiava luz para todos os lados, fonte primária que era. Mas apenas eu
via, ninguém mais. Somente eu enxergava, ali, motivo de alegria; somente eu
seguia aquele rosto, assim como o girassol busca o sol. Aquela figura arrastava
meu olhar por onde ia, não podia controlar ou decidir entre olhar e não olhar.
Seu corpo esguio era mar onde o
meu corpo, rio que é, queria desaguar. Seu desenho era suave, suas cores corretas,
seu toque macio e sua presença era divina. Como era possível existir assim,
existência tão correta?
Mas chegou o outono e o amor
desnudou-se, perdeu as folhas. Uma mão impiedosa veio e cortou seus galhos, seu
tronco. O amor despencou no chão e eu, impotente que era, estava apenas sentado
olhando.
Veio o inverno e minha alma
congelou. Fique estático, paralisado. Não sabia onde escondera os cobertores e
os agasalhos, já não havia mais amor para esquentar a alma. Nada de olhar a
iluminar e aquecer, nada de corpo para desaguar. Era só eu. Só.
O olhar, antes luz, fez-se
treva; o seu corpo, antes mar, fez se sangue; e o amor, antes forte, fez-se
ódio. O motivo? Quem sabe! O vento passou e tirou as coisas do lugar, não sem
consentimento.
Que fiz eu? Pus-me a aguardar a primavera e
ela veio, é claro: vieram várias primaveras, mas nelas não haviam mais flores.
As primaveras arrastavam-se mais frias que o inverno! Uma, duas... sessenta e
sete primaveras. E nada! Então percebi: não foi a pessoa amada quem morreu em
mim – morreu o próprio amor.
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