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Metanoia

       Atendendo a pedidos, nasce Metanoia - a visão das diferenças sob um ponto de vista mais inocente que o meu, talvez porque dei as mãos a meu eu-menino escondido em mim (às vezes nos encontramos).

METANOIA



Que foi feito de nós?
Que foi feito do amor?
Será que temos, mesmo,
Que atar os nós da dor?

Que foi feito de nós?
Que foi feito da cor?
Por ela deixou de colorir o mundo
E passou a ser motivo de desamor?

Que foi feito de nós?
Por que andamos tão sós?
Precisamos mesmo nos separar?
Há a necessidade de segregar?

O que foi feito de nós?
Por que não admitimos que o motivo do amor
É o próprio amor?
Precisamos matar, julgar, ferir, sangrar
Um coração que resolveu se doar
A um igual e, enfim, se amar?

O que foi feito de nós?
Por que a fé que professamos não nos socorre?
Por que o sangue ainda escorre?
Por que matamos pela fé?
Não é ela quem nos ensina a amar quem somos
E o que o outro é?

E o que será feito de nós,
Pequenas crianças com sede de vida?
Será que aprenderemos a viver com as diferenças,
Amar os sonhos e sanar as feridas?
Será que eliminaremos ao menos essa doença
Que mata em vida, elimina, discrimina e condena?

É preciso, adultos insensatos,
Mudança de mente, mudança de história
É preciso, minha gente,
Enxergar a partir de dentro, o Núcleo
É preciso, homens ingratos,
Amar o outro, e amar agora
É preciso metanoia!



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