Pular para o conteúdo principal

Metanoia

       Atendendo a pedidos, nasce Metanoia - a visão das diferenças sob um ponto de vista mais inocente que o meu, talvez porque dei as mãos a meu eu-menino escondido em mim (às vezes nos encontramos).

METANOIA



Que foi feito de nós?
Que foi feito do amor?
Será que temos, mesmo,
Que atar os nós da dor?

Que foi feito de nós?
Que foi feito da cor?
Por ela deixou de colorir o mundo
E passou a ser motivo de desamor?

Que foi feito de nós?
Por que andamos tão sós?
Precisamos mesmo nos separar?
Há a necessidade de segregar?

O que foi feito de nós?
Por que não admitimos que o motivo do amor
É o próprio amor?
Precisamos matar, julgar, ferir, sangrar
Um coração que resolveu se doar
A um igual e, enfim, se amar?

O que foi feito de nós?
Por que a fé que professamos não nos socorre?
Por que o sangue ainda escorre?
Por que matamos pela fé?
Não é ela quem nos ensina a amar quem somos
E o que o outro é?

E o que será feito de nós,
Pequenas crianças com sede de vida?
Será que aprenderemos a viver com as diferenças,
Amar os sonhos e sanar as feridas?
Será que eliminaremos ao menos essa doença
Que mata em vida, elimina, discrimina e condena?

É preciso, adultos insensatos,
Mudança de mente, mudança de história
É preciso, minha gente,
Enxergar a partir de dentro, o Núcleo
É preciso, homens ingratos,
Amar o outro, e amar agora
É preciso metanoia!



Comentários

Postar um comentário

MAIORES ACESSOS

Caminhada da Fé

Ah, almas tantas! Resolveram, todas, caminhar rumo ao céu – e essa caminhada não permite apego àquilo que julgam ser seu, é preciso se desvencilhar de tudo e apegar-se ao motivo primeiro que fez com que estivessem ali: a fé. Ah, almas tantas! Cantam, intercedem, prosseguem! E que há de ser feito, senão prosseguir? A vida não nos permite paradas – nem frente às dores, aos medos, às desesperanças e ao cansaço: os olhos se lançam ao infinito, redescobrem horizontes, enxergam motivos para continuar. Ah, almas tantas! Estão no chão, mas é para o alto que saltam, é o alto que buscam – e o alto é bem aqui, dentro de mim, no mais profundo e não na facilidade da superfície, no âmago. Por que seguem juntas? Porque uma é sustento para a outra e, também, se a uma faltar a energia, a força das demais é suficiente para mantê-la de pé. Há almas nas janelas que assistem as outras passarem – e, por assistirem, passam com elas. Com elas, velas e rosas para abençoar a passagem dos demais: são almas …

Cansado, outra vez

Estou farto da Literatura: ou se fala de amor ou se fala de ódio – em alguns casos, de nenhum deles, mas o resultado é igualmente fatigante. Não tenho mais energias para isso, não tenho mais energia para nada: estou cansado de tudo isto, de tudo isso e de tudo aquilo. Tudo define bem o que me desagrada, restando apenas o nada a meu favor. Meu tudo, talvez, seja nada; meu nada, talvez, seja tudo. Quem sabe? Eu não. Minha fadiga também já é assunto repetitivo, sem valor. Talvez seja um plágio de mim mesmo, tanto que recorro às mesmas falas, já gastas, já sem seu sentido primeiro. Nem a novidade, que eu tanto preguei e defendi, vem a meu socorro – estou sozinho, e é de praxe estar. Vê? Tudo de novo já nasce tão velho que me desgasta. Já se sabe, desde a origem, o futuro de todo o mundo. Sim, sabe-se. Sei que vai crescer, se machucar, estudar, machucar-se outra vez, chorar, sorrir, estudar, trabalhar ou não trabalhar, perder o emprego ou nunca “encontrá-lo”, mais sofrimento, mais felic…

Àquela mulher

Há uma mulher vestida de chita. O que ela quer? Por que tão aflita? Há uma mulher de cabeleira presa. Dá para saber o porquê da tristeza?
Ah, mulher dissemelhante! Onde se encaixa neste mundo tão errante? Ah, mulher desinquieta! Por que, em linhas tortas, sua vida é tão correta?
Essa mulher pariu o mundo Essa mulher é mãe do céu Ela vela pelo infecundo Derrama em tudo seu mel.
Quem é ela, tão pequena? Essa miúda, quem é? É aquela que não condena, Que dá motivos à fé.
Há uma mulher vestida de vida É dona do mundo, imunda não é.