(In)adequação
Está tudo adequado:
O véu a cobrir os rostos,
Os fones a tapar os ouvidos,
A ignorância a cobrir as bocas...
Está tudo adequado,
Não há nada a ser mudado:
Há fome, e daí?
Há roubo, fazer o quê?
Está tudo certo como está,
Não há motivos para lutar
Cala-te mesmo, é melhor
Não faças nada, é pior
Não temos nada, e daí?
Há injustiça – vamos sorrir!
Olha: estão nos roubando,
Mas fazer o quê?
Não estão cumprindo,
Mas... cobrar para quê?
Vistamos o véu da ignorância,
O “cala-te” sem esperança
Fiquemos mudos, como o determinado
O que há em nós para ser mudado?
(E, para terminar, sussurra-me:)
Deixa assim, tudo está adequado.
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