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Mostrando postagens de Janeiro, 2017

Desabafo Paradoxal

A dor é cotidiana: trago uma faca simbólica cravada no peito e ela parece se contorcer toda dentro da carne fria, como se procurasse e encontrasse conforto na coisa dilacerada que faz da minha forma que não é outra, senão a de atropelado – deformação na coisa que é, por natureza, deformada: espanto – dele, o canto (que é a tradução, ainda que equivocada, daquilo que eu vi e senti, mas não aprendi e, por isso, não sei dizer).           O cheiro de bosta no ar também se tornou coisa diária: anuncia a podridão do mundo, dos mundos. É como se a vida nascesse de um esgoto a céu aberto para, por desaforo, demonstrar toda a sua força que é capaz de, nas porcarias, fazer-se nova e bela, ainda que contrária às aspirações do que escreve – é ela a faca que me acerta o peito como as que acertam os porcos, prenunciando o grito agudo e longo de quem parte sem querer partir e a tristeza de quem fica sem querer ficar. A vida é quem me suga a vida, porque ela quer desocupar o espaço para o…

Autorreferência

Com o suor da labuta do dia, Com o resultado da luta, A sangria, Com a martelada ininterrupta e Com a sinfonia  Rabisquei estes versos, fiz a poesia.  A poesia é, para as almas cansadas, Refúgio, albergaria É cantiga acolhedora É voz amiga É ensinamento, é professora.

Amor (im)próprio

És real ou apenas és imaginação minha? És de verdade ou materialização do desejo meu? Existes ou minha mente persiste em dar-te vida? Se não fores real, por que esses ares de majestade?  Se não és verdade, por que teu calor me invade? Se não existes, por que algo em mim resiste e não te mata? És coisa real, és rei ou és rainha?