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Mostrando postagens de Agosto, 2016

Hino ao Avesso

Parte ICaminha rumo à liberdade flácida
Um povo tolo, cego e repugnante
E o olhar, se há olhar, é fugidio
Em cada passo, tudo é humilhante.Se há riso, é falsidade
Seus pequenos, bobos sonhos, não têm cores
Mal existe, morre em vida
Sua vida, mal vivida, só tem dores.Ó, povo pisado
Derrotado,
Brade! Brade!Sentiu um abuso imenso, um rubro líquido
Com dor, sem temperança, o sangue desce
Se cumpre seu dever moral e cívico
Não vê ser atendida a sua prece.Gritante, sem amor e sem beleza
É podre, é fraco, amargoso desgosto
E o rosto traduz sua tristezaNunca tem nada!
Só sonho vil,
Amor não viu
Gente acabada!Dos caminhos que fez, liberdade não viu
Gente massacrada
ServilParte IICansado do seu sonho intermitente,
Da dor, ranger de dentes, de ser infecundo,
Em chamas, o povo clama força bélica
Mas é só seu o sangue que jorra pelo mundoDo que a gente mais sofrida,
São tristonhos, passos lentos, sem amores
Suas costas têm feridas
Suas feridas, sem receio, têm mais dores.Ó, gente pisada,
Derrotada…

O riso

Ri-se um riso contorcido,
chacoalhado,
balouçado,
convulsivo,
subido,
descido,
solto. Ri-se um riso convencido,
inacabado,
soluçado,
expressivo,
incontido,
sabido,
louco.Ri-se com verdade, ardor.
Ri-se com vontade, amor.Ri-se porque ri,
porque mora e é morada,
porque caminha e é estrada,
porque ama e é amado,
porque rindo sabe-se céu estrelado. Seu riso me diz:
Felicidade é amar e saber-se amado.
E o mundo condiz:
É viver e saber que a vida não é um fado.

Dá-me

Estou preso, dá-me a mão
Estou preso, dá-me chão
Estou morto, dá-me vida
Estou morto, dá-me a despedida
Estou perdido, dá-me luz
Estou perdido, truz.Erro de poeta terá perdão?
Erro que produz melodias, erro-violão?
Erro que conduz meus dias, erro que me leva?
Erro que constrói, a dor cria e a dor encerra?Dá-me a mão? Dá-me chão?
Dá-me vida e despedida?
Dá-me luz, dá fim ao truz? Errei poeta, linha reta é meu chão
Errei poeta, muita vida em minha mão
Errei poeta, há gás na minha candeia
Errei poeta, bala veloz que cambaleia Chegas só agora que encerrei minha defesa?
Vens só agora que me derramei sobre a mesa?
Agora já sequei meu coração
Chegaste tarde: dá-me não!

Àquela mulher

Há uma mulher vestida de chita. O que ela quer? Por que tão aflita? Há uma mulher de cabeleira presa. Dá para saber o porquê da tristeza?
Ah, mulher dissemelhante! Onde se encaixa neste mundo tão errante? Ah, mulher desinquieta! Por que, em linhas tortas, sua vida é tão correta?
Essa mulher pariu o mundo Essa mulher é mãe do céu Ela vela pelo infecundo Derrama em tudo seu mel.
Quem é ela, tão pequena? Essa miúda, quem é? É aquela que não condena, Que dá motivos à fé.
Há uma mulher vestida de vida É dona do mundo, imunda não é.