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Mostrando postagens de Junho, 2016

Mar dos prazeres

Amor é ser rio e desaguar no outro – não por esforço, mas por naturalidade É ser mar e aceitar as águas do rio – não por necessidade, mas por amar!
Amar é ser poesia e, sem fantasia, entregar-se Amor é ser maresia e, na ressaca, encontrar-se
Ame e tornar-te-á o próprio amor (Ou o amor seria a pessoa amada – não sei de nada) Amemos e tornar-nos-emos um só (Amor é um nó – na garganta, nas pernas, na barriga – que nos faz um)
Amor é eu estar aqui querendo estar aí, É o eu que não se desvencilha do tu na procura insana do nós, É este grito silencioso, este silêncio estrondoso, este chamado sem voz.
Amor é sentir e não saber ou saber e não sentir? Disso não sei, o que sei é que ele não existe sem ti. E ignorando, eu mesmo, os meus dizeres, Mergulho em nós: é o mar dos prazeres.



Rabiscando (in)significâncias

Somos uma mala e trazemos Deus no ventre. Somos uma mala, repito: em nós, mais que nós mesmos, os outros – às vezes, mais outro que nós. Somos uma mala e na bagagem há tantas coisas que não são nossas, tantas coisas que nos acrescentam sem autorização que, no fim, confunde-se aquilo que é nosso e aquilo que nos foi “dado”. E é difícil ser outros quando não se é o que é. É difícil e sufoca. Hoje amanheci com dois dedos invisíveis na garganta me espremendo a jugular: é complicado acordar assim. Complicado, mas, no entanto, banal: ninguém vê ou, se vê, faz que não. Você sabe do que estou falando porque também passa por isso, mesmo que negue. E tudo isso porque somos uma mala. Surpreende-me ver como dois cães de rua se ajudam e cooperam a ponto de, quando um está manco, o outro não dar um passo depressa e nem correr atrás de nada: não é indiferente à dor do outro, mas muitos dos homens são: vejo gente que também vê gente sem enxergar a pessoa que viu ou, se enxerga, não olha e, se olha,…

Celene

Como podes querer me rotular?
Entenda: não nasci para as tuas definições.
Ler os meus gestos, querer me julgar?
Entenda: não sou tua escrava, sou minhas canções.
Nasci mesmo é para a liberdade, para amar
Entenda-me, não me defina: decifre meu olhar.

(Acróstico para +Celene Oliveira)