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Mostrando postagens de Maio, 2016

Caminhada da Fé

Ah, almas tantas! Resolveram, todas, caminhar rumo ao céu – e essa caminhada não permite apego àquilo que julgam ser seu, é preciso se desvencilhar de tudo e apegar-se ao motivo primeiro que fez com que estivessem ali: a fé. Ah, almas tantas! Cantam, intercedem, prosseguem! E que há de ser feito, senão prosseguir? A vida não nos permite paradas – nem frente às dores, aos medos, às desesperanças e ao cansaço: os olhos se lançam ao infinito, redescobrem horizontes, enxergam motivos para continuar. Ah, almas tantas! Estão no chão, mas é para o alto que saltam, é o alto que buscam – e o alto é bem aqui, dentro de mim, no mais profundo e não na facilidade da superfície, no âmago. Por que seguem juntas? Porque uma é sustento para a outra e, também, se a uma faltar a energia, a força das demais é suficiente para mantê-la de pé. Há almas nas janelas que assistem as outras passarem – e, por assistirem, passam com elas. Com elas, velas e rosas para abençoar a passagem dos demais: são almas …

Inferno

Quero que tudo vá para o inferno,
Quero que tudo queime!
O novo, o velho... O antigo, o moderno...
Tudo para os quintos!

Meu amigo, aperte os cintos
Que o trem vai bem depressa.
Não, não tenha pressa:
Teu lugar está bem guardado:
Ao inferno, desgraçado!

Nos braços da mãe

Não podemos controlar tudo, meu filho: O Universo é o Universo, independente de nós; O Sol é que comanda seu brilho; A Lua age sem ouvir nossa voz; O terremoto existe, apesar da nossa dor.
Meu filho, esconda-se debaixo da mesa, Sua mãe está aqui! Menino, não chore, aja com firmeza: Não deixe o tremor nos ouvir!
Ouvi dizer, guri, que existem umas placas tectônicas... Estes abalos são decorrentes do choque entre elas! Ah, mas há pessoas em situações antagônicas, Que quase não possuem o risco de ver tremer a terra, Com elas, o incontrolável não erra!
Meu filho, ouvi dizer que esses terremotos São mais graves quando atingem países pobres: Sem infraestrutura, as pessoas perdem casa, perdem posses, Perdem parentes! O governo não os ampara, Mas a vida não para: Enquanto sofrem pela carência, Outros brindam à indiferença...
Não, meu filho, não chore: Somos pobres, mas vamos escapar. Não menino, a esperança não se encolhe: Vamos nos safar.
Não podemos controlar as causas, garoto... Não podem…