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De como descobri meu caminho

Foi um sonho, foi o céu, foi a beleza em toda a sua plenitude: a tempestade encontrou o mar, o afluente encontrou seu rio, eu me encontrei. Foi um sonho, mas foi tamanha a verdade que ela ainda queima em mim.
A proximidade nunca foi tanta! Estava ali, ao meu lado, pleno de graça – e só poderia estar assim, sendo ele quem é. Sua luz tocava o mais profundo de mim, alcançava meu âmago, sondava a minha essência: estávamos, sonho e eu, lado a lado (e foi a primeira vez que concordamos com alguma coisa, que quisemos seguir o mesmo caminho).
Éramos você e eu no meu sonho: eu com a necessidade de expor, você com a educação de me ouvir. No entanto, as palavras não saíam de minha boca, mas de minhas mãos! Saíam para encontrar com seus olhos e, por eles, adentravam o mais profundo de sua alma - onde se enchiam de luz, calor, novo significado e graça. Engana-se se pensa que ali se acomodavam: renovadas, lançavam-se ao ar num voo mágico e ascendiam aos céus tomadas de novas formas: eram estrelas que se davam as mãos e constituíam constelações, eram nuvens prenunciando chuva, eram sol irradiando luz, eram você mais eu.
A sede era do alto – um voo que não vai daqui até o pico do Everest, mas que, partido de dentro de mim, constelava a alma de quem quisesse ser tocado. Se era um chamado, eu não sei: mas interpreto como um. Desde então é esta a minha missão: não deixar de matar a sua fome de palavras minhas, ainda que, muitas vezes, você desconheça essa fome; e, além disso, não deixar que as palavras, presas, endureçam meus punhos e impeçam-me de colorir os céus. Escrever é necessidade.
Sonho é isso: meus desejos atrelados ao meu imaginário e às coisas que nem sequer suspeitava que poderia imaginar, minhas ânsias desconhecidas clamando para alcançar aquilo que querem, minha força para continuar, minha esperança! Sonhando, sou, outra vez, criança levada salvando o mundo – sou luz.
            Foi um sonho, mas se fez verdade em mim.


(Texto dedicado a +João Vitor, meu amigo e poeta, que me inspirou, em uma de nossas conversas, a escrevê-lo).

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