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Mostrando postagens de Abril, 2016

De como descobri meu caminho

Foi um sonho, foi o céu, foi a beleza em toda a sua plenitude: a tempestade encontrou o mar, o afluente encontrou seu rio, eu me encontrei. Foi um sonho, mas foi tamanha a verdade que ela ainda queima em mim. A proximidade nunca foi tanta! Estava ali, ao meu lado, pleno de graça – e só poderia estar assim, sendo ele quem é. Sua luz tocava o mais profundo de mim, alcançava meu âmago, sondava a minha essência: estávamos, sonho e eu, lado a lado (e foi a primeira vez que concordamos com alguma coisa, que quisemos seguir o mesmo caminho). Éramos você e eu no meu sonho: eu com a necessidade de expor, você com a educação de me ouvir. No entanto, as palavras não saíam de minha boca, mas de minhas mãos! Saíam para encontrar com seus olhos e, por eles, adentravam o mais profundo de sua alma - onde se enchiam de luz, calor, novo significado e graça. Engana-se se pensa que ali se acomodavam: renovadas, lançavam-se ao ar num voo mágico e ascendiam aos céus tomadas de novas formas: eram estrelas q…

Devaneios

Há lágrimas em seus olhos. É sempre assim, porque há também um certo peso em suas costas (largas, mas que não foram feitas para sustentar o mundo). Não há sol no céu, nunca há; também não se vê as estrelas do lugar onde se encontra, nenhuma; nenhum sinal de vida, a rua está deserta; não há, sequer, fantasmas para distrair sua mente. Só uma coruja sobrevive, mas também já se cansou das trevas: está acomodada numa placa de sinalização sob um poste cuja luz se encontra em estado terminal – sim, a luz está quase morta, frouxa, quase treva. Alguém precisa se lembrar de trocar as lâmpadas dos postes, mas... para quê? Uma... duas... três lágrimas caem no chão. É o suficiente: sob seus pés se abrem buracos negros imensos que parecem querer sugar-lhe a alma. Já não existe mais firmeza: suas pernas parecem ser só dois enfeites flácidos, porque ele cai. Fica ali, caído, por três minutos – talvez mais, talvez menos. Levanta-se, é preciso caminhar. Aonde vai? Teria ele algum lugar para ir? Mesmo q…

Um Escritor Qualquer: Realidade

Um Escritor Qualquer: Realidade:


Interromperam meu sonho. Quem teve a audácia de fazê-lo? Serias tu, realidade? Não suportas minha fertilidade? Ainda hei de te transformar. Mas assim, deixa para lá. Quero voltar a sonhar. Amanhã faço isso, mas hoje não. Eu estava imaginando pessoas se abraçando. Não tens o direito de me negar o calor humano. Envolto de emoções, como sendo maneira de manifestações. Ai de ti se o fizer. Faço te abraçar como és. De te moldar a existência até o fim dos pés. Amanhã trato de lidar contigo. Hoje não. Hoje eu sou sonho. Sou o desejo do fadigado. Sou a causa de quem descansa. Sou a pessoa que ama. Sou veste de esperança. O voo que te alcança. Hoje sou você disfarçado. Ocultado em pessoas de ações caladas.

Seu

E, feito céu, sou mais meu.

Cansado, outra vez

Estou farto da Literatura: ou se fala de amor ou se fala de ódio – em alguns casos, de nenhum deles, mas o resultado é igualmente fatigante. Não tenho mais energias para isso, não tenho mais energia para nada: estou cansado de tudo isto, de tudo isso e de tudo aquilo. Tudo define bem o que me desagrada, restando apenas o nada a meu favor. Meu tudo, talvez, seja nada; meu nada, talvez, seja tudo. Quem sabe? Eu não. Minha fadiga também já é assunto repetitivo, sem valor. Talvez seja um plágio de mim mesmo, tanto que recorro às mesmas falas, já gastas, já sem seu sentido primeiro. Nem a novidade, que eu tanto preguei e defendi, vem a meu socorro – estou sozinho, e é de praxe estar. Vê? Tudo de novo já nasce tão velho que me desgasta. Já se sabe, desde a origem, o futuro de todo o mundo. Sim, sabe-se. Sei que vai crescer, se machucar, estudar, machucar-se outra vez, chorar, sorrir, estudar, trabalhar ou não trabalhar, perder o emprego ou nunca “encontrá-lo”, mais sofrimento, mais felic…