Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Março, 2016

O mesmo José

E, agora, que faço eu desta hora? Abandono-me? Agora, ele ri ou chora? Confunde-se? E agora, que já não há mais tempo, Caminho a passos lentos?
E agora? Morreu? E agora? É réu?  E agora? O crime? E agora? Redime? E agora? Cai fora?
Agora... chora! Agora, sem hora, deteriora. Pior: deteriora-se! Está podre.  Haverá jeito? Meu Deus, o sujeito está nu!  O homem está cru!  E eu estou parado, ao lado, calado.
Que faço eu desta hora? O homem, ali, chora  (Porque quis?) Meu José, há um homem infeliz (O que ele diz?)
José, não é uma retórica! Se não me responde, como o José de Drummond, Vai-te embora e vai tarde!
Que faço eu dessa hora? Eu vejo, José: É  você a meu pé! José, por que passas tão despercebido? Por que tão tímido?  Por que morreu? Por que te abandonou? Por que foi réu? Por que não teu? Por que, José?
Levanta-te, José Ou te ponho de pé! José, José... perdeste a fé? Compreendo-te! Mas, no chão, não verás a salvação. E agora, José? E agora, Josés? Não sei o que farás (Cantarás, ama…

Lua

Lua, empresta-me essa coisa tua
De refletir aquilo que é bom
De ser luz na escuridão
Lua, leva-me para a rua
Ensina-me o amor às ondas do mar
Para que eu, apesar das correntezas, aprenda a amar.

Maravilha!

"Eu te amo pelas tuas entradas, saídas e bandeiras... Eu te amo desde os teus pés até o que te escapa!"

Reergo-me

"Eli, Eli, lama sabactâni?"

Não sei se está consumado, Não sei se está consumindo... Sei que me sinto desamparado, Sinto minhas forças partindo - Não sei do que sei.
Fiz tudo o que pude: Corri mares, voei nos ares, lutei! Mas veio a mão que ilude Atacar-me, sem compaixão: Cravaram no meu peito a lança, Tingiram-me de vermelho a esperança E eu parei, cai, calei.
Meu Deus, porque me atiraste neste mundo, Tão pouco, tão louco, tão imundo? Por que me deixaste abandonado à condição humana Que não condiz com nada, desordenada? Responde, se Tu me ouves!
(Sinto um sufoco, um cansaço (Desta existência sem cadência).
Mas eis que sinto a brisa no rosto, Sinto o doce na boca, O calor no pescoço, Sinto a paz na alma rota. Será, dos céus, a resposta?
Eu sei: não está consumado, Está só começando. Não, o mundo não está parado, Está rodando! Sinto minhas forças voltando, Ouço vozes cantando, Ouço harpas e ruflar de asas!  Levanto meu voo, Coloco-me na estrada. 

"Ados"

Inadequado
De lado
Afastado
Isolado
Machucado
Inacabado
Despreparado
Apartado
Amarrado
Amargurado
Fissurado
Apertado
Arrasado

Ah, os "ados"!
Sempre destruindo
Os desavisados,
Sempre exaurindo
Os que não ficavam cansados!

"Ados? Ados!"
Chamo, aos brados:
Não há respostas
(Ados me deu as costas).
É o fim do sofrimento:
Agora, calam-se os lamentos.

Perfume

Está quebrado,  Desfeito em mil pedaços: Cacos de coração para tudo que é lado -  O frasco do amor foi despedaçado.
Mas, alegra-te: Restou o perfume no ar. O amor, agora livre,  Brinca com quem de amor vive E liberta aquele que não pode se entregar: Banha-te!

Mulher

Há em ti mais do que posso compreender,
Mais do que posso tentar dizer,
Mais do que o mais que se há para fazer,
Mais do que aquilo que não tem fim.
Há em ti mistérios que não desvendo,
Há amores que não entendo,
Há tudo em nada,
Há nada em cada.
É demais para minha pouca bagagem,
Essencial nesta minha viagem,
É metade de mim,
Sou metade em ti.
Ah, como eu queria escrever-te!
Mas não posso, as palavras são poucas.
É tanto que, nas horas loucas,
Rasga-me a roupa do saber!
Esqueço-me de mim, do fim:
Só teu nome te descreve,
Nenhuma outra palavra – qualquer que seja.
Deixo seu nome na bandeja
E o sirvo para quem quiser:
Para tamanha graça da Natureza,
Para tanta firmeza e beleza,
Escrevi-te: MULHER.

O Homem

Não sabe quem é, Isso o mantém de pé: Não é José nem Tomé, Nem Joaquim nem André. Mas é assim, de fé.
Ele entra e sai, Vem e depois vai, Senta, levanta... Venta, canta... Parece criança, Parece que dança, Parece que se lança Rumo ao nada.
Uma coisa de cada vez, Põe tudo fora do lugar: Tu não percebes, não vês, Mas é sua maneira de arrumar. Seu mundo é às avessas, Suas imaginações travessas: Ele precisa readequar.
Então, entra e sai (Há olhos sobre ele), Vem e vai (Sua sombra é de carne), Senta e levanta  (Sua força não espanta), Venta, canta  (Chora e dança). 
Já sabe quem é: É homem de fé (Fé no amanhã), É homem que come em coité, É homem de pé, É homem - pois é.